quinta-feira, 23 de abril de 2015

Vazio interior


Ouvimos muito falar em vazio, vazio interior, vazio emocional, vazio que não se sabe explicar.

O sentimento de vazio na vida é algo muito significativo, e deveria ser levado em consideração muito mais do que geralmente é.

Sentimento de vazio sugere insatisfação, carência, infelicidade, solidão, insaciabilidade, tristeza, depressão.

O vazio pode estar ligado a muitas coisas.

Alguém que perdeu algo importante na vida pode ficar com o sentimento de vazio, como não ter mais aquela pessoa querida, o animal de estimação, o emprego que amava, a casa onde morou desde a infância.

E vazio pode ter a ver com outros aspectos, como quando alguém não encontra sua vocação profissional, não trabalha no que gosta, se sente infeliz sem saber no que realmente se realizaria. E fica a sensação de vazio, de não saber que caminho tomar para mudar de vida.

E tem o vazio mais profundo, aquele que algumas pessoas descrevem como algo que as acompanha desde que se lembram, desde que eram pequenas.
Nesse caso podemos pensar numa criança que não teve o suporte emocional de que precisava, seja da mãe, dos pais, da família. Muitas pessoas contam sobre um vazio imenso ao lembrar de como a mãe era ausente (emocionalmente e/ou fisicamente), do quanto se sentiram sozinhas e desamparadas, do quanto não tiveram com quem contar, tenha sido pela repressão vivida em casa, ou pela falta de condição dos pais darem mais continência, de ouvirem, de acompanharem, de darem colo. Muitas vezes os pais nem tiveram ciência dessa necessidade por parte da criança, do quanto eles lhe faltaram.

E é como essas pessoas dizem se sentirem até hoje, em falta, carregando um sentimento de não completude, de carência, de que lhes falta alguma coisa.
Vemos muitos casos em que se procura o preenchimento em outra pessoa, às vezes até numa relação que não é boa, mas que traz em algum nível a idéia de não estar sozinho, no vazio.

Pessoas procuram como companhia a bebida, o cigarro, os excessos.

Tem as pessoas que conseguem crescer profissionalmente, como os velhos famosos, que ganham muito dinheiro, se casam, e mesmo assim parecem continuar a carregar um vazio tão grande que acabam por pôr um fim à vida, às vezes propositalmente, quando não definham nos abusos do que faz mal.

O vazio pode ser um incômodo constante, um oco, um buraco no emocional.

E todo o vazio tem a sua razão de ser.

Quando se pode dar conta de que o vazio existe dentro de si, e se pode trabalhar e analisar de onde pode vir, fica menos difícil intervir, de forma a amenizá-lo, entendendo melhor  em que área se encontra,  e assim poder aceitar, e então trabalhar, elaborar, para poder tentar de alguma forma transformar a “perda” antiga, atualizando a representação da vida, encontrando recursos e formas de lidar e até preencher o velho vazio.

Rosangela Tavares


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sofrimento



Existe um princípio de funcionamento nosso, chamado Princípio do Prazer.

O Princípio do Prazer é algo que faz parte da nossa natureza, da nossa atividade central, assim como existe o nosso instinto de sobrevivência.

Desde que nos formamos, já vivemos pelo Princípio do Prazer, que consiste no impulso de buscar o prazer toda a vez que surge um desprazer, um incômodo.
O bebê chora assim que qualquer desprazer surge.

Nós buscamos acabar com desprazer a cada vez que sentimos sede, fome, saudade, dor, frio, calor, raiva...

E ao desconforto mais intenso podemos chamar de sofrimento.

Toda a vez que estamos em sofrimento, reagimos de alguma forma, seja chorando, falando, entristecendo, dormindo, nos irritando, adoecendo.

Sempre existirão os sofrimentos que poderemos tratar, amenizar, evitar, lidar de jeitos diferentes.

De qualquer forma o que mais importa na questão do sofrimento é o quanto temos capacidade para reagir positivamente, buscando saídas, ao invés de nos recolhermos, nos fecharmos, acabando por cair em depressão e angústia, ou ficarmos levando uma vida sem graça, vivendo por viver.

O que mais importa aqui, é a busca pelo prazer, por viver feliz.

Muitas vezes quem está em grande sofrimento mal consegue ter a clareza sobre qual caminho tomar, mas independente disso, em geral sempre haverá um caminho para a mudança.

Algumas pessoas se acostumam a um estado de sofreguidão, e vão seguindo, se lamentando todo o tempo, mas não fazem nenhum movimento para a mudança. E por incrível que pareça, algumas delas precisam desse sofrimento, pois é o sentido que deram para suas vidas.

Aprender a lidar com o sofrimento é algo que alcançamos quando criamos recursos internos, que são descobertos e desenvolvidos a partir do autoconhecimento.

A Psicoterapia, por exemplo, é um dos caminhos para este trabalho.
Quanto mais nos conhecemos, mais temos condições de estar preparados para lidar com os processos da vida.

Sofrer pode ser uma escolha, mas é importante termos claro, que só depende de nós para encontrarmos o alívio. 

Escolher a dor nem sempre vale a pena.

Rosangela Tavares




























































quinta-feira, 16 de abril de 2015

Angústia de separação


O Transtorno de Ansiedade de Separação (Angústia de Separação) leva a um estado de muita sofreguidão.

Transtorno de Ansiedade de Separação é o nome que se dá ao quadro de sofrimento emocional exagerado relacionado a separações.

As crianças normalmente passam pela dificuldade de se separarem dos pais, da casa, quando vão para a escola, ou para lugares quando ainda não experimentaram ficar longe da família. É normal. Os bebês em algumas fases também experimentam sofrimento diante do distanciamento da mãe.

Mas o Transtorno de Ansiedade de Separação é algo que se instala, e é mais intenso e sério.

Esse quadro advém de situações traumáticas vividas, que incluem separações bruscas, significativas e extremamente doloridas, ou qualquer situação que represente uma separação sofrida, de marcas profundas.

Nesse sentido podemos estar falando, por exemplo, de uma separação entre mãe e filho (a mãe abandonou, a mãe morreu, a mãe deixava no berço por longos períodos, a ponto da criança angustiar-se terrivelmente), e outras situações que podem ocorrer não só com crianças.

A pessoa que sofre desse transtorno vive uma ansiedade muito alta diante de qualquer situação que signifique rompimento. E junto vem o medo, o pavor.

É como se, em cada vez que ela precisasse se separar, a angústia da velha experiência retornasse, com a força do trauma.

A angústia pode ser tão intensa que a pessoa tem problemas até para se separar de coisas negativas, de uma fase ruim, de alguém que não lhe faz bem, pois o pânico está acima das circunstâncias, o trauma maior é o desenlace, a despedida, mesmo que seja se separar de um problema.

Uma pessoa que vive este quadro, pode chegar a tomar qualquer tipo de atitude extrema para não enfrentar uma separação, até mesmo em situações corriqueiras. Ela pode, por exemplo, se machucar propositalmente numa viagem, buscando um meio de não ter que regressar, se despedindo da viagem.

Alguém assim pode amanhecer num Domingo já angustiado e deprimido, ao imaginar que no final do dia se despedirá do fim de semana, dos amigos ou do namorado.

Muitas vezes a causa está na infância, mas a pessoa pode levar isso para a vida, projetando a antiga vivência nas situações da vida em geral, com um fundo de angústia exacerbado.

É claro que estamos falando de situações extremas, mas o Transtorno é bem isso, o resultado de um trauma causado por uma experiência avassaladora (emocionalmente falando), relacionada a uma separação em algum tempo.

O quadro requer tratamento psicoterapêutico, já que as separações fazem parte do nosso cotidiano e da nossa vida, e viver assim pode acarretar outros desequilíbrios e até somatizações.

Rosangela Tavares


terça-feira, 14 de abril de 2015

Feliz hoje e sempre


Onde  você encontra a sua felicidade?

Quanto você gasta por você? E com você?

Porque nós podemos considerar que temos motivos para nos sentirmos felizes, como adquirir um bem material, ter bons amigos por perto, ter um bom emprego.

Mas, e se um dia você se encontrar sem emprego, sem o bem, sem os amigos?
Felicidade, em seu maior significado, é uma condição interna adquirida, estruturada, e não circunstancial.

Ser feliz é conseguir manter espontaneamente um equilíbrio emocional, um estado de satisfação e bem estar contínuos, que se misturam a sentimentos como paz, ânimo, alegria, disposição, sentido em viver.

Podemos imaginar que uma pessoa feliz acorde e não precise pensar em motivos que estão fora dela para se sentir entusiasmada, com razão para viver. Ela está feliz porque é feliz por dentro. E só. O que vier de fora, será para somar alegrias ao seu coração feliz.

Quando falamos no estado de equilíbrio, estamos falando sobre nos sentirmos bem, sem conflitos desnecessários, sem peso, e isto inclui medos, ansiedades, insatisfações, traumas, dores emocionais e físicas, culpas, dificuldades nos relacionamentos, sentimento de vazio.

A busca de motivação a partir de coisas externas é muito comum, e as pessoas têm vivido extremamente insatisfeitas, lamentando-se, adoecendo, sem perceber que a primeira mudança deve acontecer dentro delas, que os lugares que ocupam em seu mundo são reflexo de seu próprio interior, de seu jeito de ver a vida a partir de suas projeções.

Uma casa não pode funcionar com o sofá na cozinha, o fogão no banheiro, a cama no quintal e lixo para todo o lado.

E é assim que o nosso interior é, quando estamos em conflito, sem nos conhecermos como deveríamos, sem conseguirmos intervir para a nossa melhora, nosso desenvolvimento interno, nossa transformação verdadeira, nosso êxito.

Quem está em feliz não adoece, seu sistema imunológico se mantém forte, a vida é vivida com gosto e contentamento. Quem está bem progride, cria, realiza, e se realiza.


Precisamos aprender de uma vez por todas que a vida acontece dentro de nós, e assim como o nosso coração físico precisa estar em perfeita condição, o nosso coração emocional também precisa.

Rosangela Tavares


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Movimento Padrão


Os psicoterapeutas falam muito sobre os tais movimentos padrões.

Na verdade é algo muito importante para se conhecer.

Nós costumamos viver o nosso dia a dia automaticamente. Vivemos nossos relacionamentos como achamos melhor, e assim levamos a nossa vida.

Mas o que às vezes conhecemos muito pouco sobre nós, são os nossos movimentos padrões.

Movimentos padrões são os nossos comportamentos repetidos inconscientemente, condicionados até, o nosso jeito de nos posicionarmos, de reagirmos, de lidarmos com os eventos da vida.

Por exemplo:

Você é uma pessoa que enjoa fácil das coisas?

Se sim, então é muito provável que você enjoe daquela música, daquela comida, daquela relação, daquela rotina, daquele trabalho, daquele objeto... E se depois de um tempo você “desenjoa” e volta a escutar aquela música, pode ser também que depois de um tempo volte a comer aquela comida, volte a pensar naquele relacionamento, repense o tipo de trabalho, volte a usar aquele objeto. E o ciclo se repete.

Você é uma pessoa que nunca acaba algo que começa?

É provável que comece um curso e não termine, que faça uma promessa para você e não consiga cumprir, que comece uma relação e não a trabalhe o suficiente para mantê-la, que não dê continuidade num tratamento de saúde, que comece o dia na intenção de realizar algo e no final não realize.

Nós nos comportamos e reagimos de forma parecida com tudo o que nos relacionamos, seja com objetos, pessoas, empregos, planos, decisões, tudo.

E como não conseguimos perceber com clareza o que fazemos, acabamos por viver consequências sempre parecidas, resultados parecidos, muitas vezes negativos.

Se eu desanimo no primeiro obstáculo para realizar uma receita de culinária, é provável que desanime diante de uma dificuldade num curso, num passeio, num plano.

Quando nos conhecemos melhor, conseguimos identificar a forma como funcionamos e nos comportamos nos processos, então fica mais fácil separar as dinâmicas, e interferir, podendo assim ajustar os movimentos, mudar os velhos jeitos, melhorando a vida.

Uma pessoa que toma atitudes precipitadas pode sempre fazer uma escolha errada, seja de um prato no restaurante, um emprego inadequado, assumir algo que não consegue dar conta ou até partir para algo mais complicado de ser resolvido, como jogar tudo para o alto no trabalho e abrir um negócio que não dará certo, pois não tem o perfil para atuar naquilo.

E as experiências não necessariamente farão a pessoa mudar, já que ela não percebe como fez. Ela pode se arrepender após cada experiência, sem ligar uma coisa à outra, já que desconhece seus padrões de comportamento.

Por isso é tão importante nos autoconhecermos, e saber que os nossos movimentos padrões ocorrem o tempo todo, e podem nos trazer efeitos bons ou não.


Estando conscientes de como atuamos, nos auto orientamos, e isso faz toda a diferença para uma vida mais feliz, com resultados felizes.

Rosangela Tavares


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Aprendendo a lidar com a culpa


Eu recebo casos no consultório, de pessoas que sofrem por se culparem por coisas que viveram, atitudes que tiveram, se sentindo culpadas por relacionamentos que terminaram, empregos que abandonaram, males que teriam causado.

A culpa é a condição de se sentir mal por achar que atuou em alguma situação tendo sido o ator responsável pelo acontecimento e pela consequência daquele acontecimento.

A diferença entre se sentir culpado e responsável, é que quando alguém se sente responsável, está simplesmente admitindo que foi a sua atuação que causou algo, que foi  o seu despreparo, sua imaturidade, sua negligência, enfim, que foi responsável.

Já a pessoa culpada vive uma submissão, uma entrega, um sentimento sofrido diante de um cenário que na verdade pode ter sido mal analisado, mal explicado, mal compreendido.

E quem se cobra passa a ocupar um lugar de culpado, às vezes por muito tempo.

Mas é possível se sentir responsável sem se sentir culpado.

Pode-se admitir uma responsabilidade somente neste nível, sem se sentir em sofrimento, com remorso, porque a culpa, o remorso (que é o arrependimento com culpa), é a idéia de que se foi mal, maldoso.

Isso tudo vem de encontro com os conceitos da pessoa sobre ser boa, ser má, como ela constituiu isso, como ela aprendeu isso desde a infância.

Uma pessoa pode ter aprendido desde pequena que a vida é feita de escolhas e consequências, e que a partir do momento que se dá um passo, já se tem uma consequência, boa ou ruim, e sendo ruim, ela poderá se sentir responsável, aprenderá com aquilo, mas não necessariamente precisará se sentir culpada e sofrer, porque se aprendeu a lição, significa que tenderá a não repetir uma atitude do tipo. Nesse caso ela aprendeu como se responsabilizar por seus atos.

Pessoas que se culpam com facilidade, podem ter vivido experiências que as fizeram acreditar que são causadoras de maldades, situações que as levaram a se manterem assim, sempre em posição de culpadas (por exemplo pais que sempre apontaram os erros de forma inadequada: “Está vendo o que você fez? Olha o que você causou. Você não tem jeito, só faz bobagens”).

O sentimento de culpa é negativo, se sentir culpado limita, atrapalha, além de que o culpado pode trazer para si, um movimento de defesa, como não entrar mais num relacionamento, se afastar dos amigos, da família, ou de não viver mais feliz, ou enfim, de não se permitir ter mais experiências que poderiam ser novas e boas, em nome de um castigo que ele mesmo estará se dando.

Isso impede a pessoa de crescer, de aprender, de se desenvolver, de viver.

A responsabilidade não isenta ninguém de ser o causador de algo.

Se responsabilizar tem um peso, mas permite que alguém possa pensar, rever as atitudes, perceber.


E é preciso que se aprenda a se sentir apenas responsável, admitindo a participação num episódio da vida, e que seja apenas um aprendizado, já que todos erramos, e todos temos o direito de nos redimir e seguir em frente.

Rosangela Tavares


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Que Inveja!


Muitas pessoas não gostam da palavra Inveja.

É como se a palavra imediatamente levasse à idéia de algo negativo, destruidor.

Inveja é o sentimento que alguém pode ter por algo que não lhe pertence, e que lhe causa grande admiração e desejo de possuir.

Invejar é natural. As crianças invejam quando o amigo ganha um brinquedo legal.

Mas quando já somos maiores, é um pouco diferente.

Invejar é diferente de desejar.

Alguém pode desejar conseguir comprar um carro novo, conquistar um namorado maravilhoso, ganhar um concurso.

Mas quem inveja, não simplesmente deseja. Ele olha para o que é do outro, e deseja o que o outro tem. É um olhar de desejo pela vida do outro, os bens do outro, o relacionamento do outro, com se a sua vida nunca pudesse ser igualmente boa. A vida do outro é sempre idealizada como perfeita, mágica.

A diferença está na posição em que o invejoso se coloca, ele vê como inalcançável a condição que o outro possui.

Existe um prazer em assistir e querer o que é do outro, como se fosse algo muito mais fascinante do que se ele próprio possuísse.

O invejoso pode sentir raiva e frustração por não se considerar igualmente capaz, mesmo que inconscientemente, chegando ao ponto de desejar que o outro perca o que conseguiu de bom.

Muitas vezes o desejo do outro perder pode significar apenas acabar com o seu próprio sofrimento, seu sentimento de inferioridade.

Mas pode significar também certa maldade, sadismo gratuito.

Quem inveja pode carregar questões profundas de autoestima, de não merecimento,  como alguém que se acha incapacitado de crescer e galgar coisas boas para a sua vida.

Pessoas que em vivências significativas registraram seu lugar apenas em assistir, sem poder ter ou participar.

Podem ter aprendido que tudo o que é bom não é para elas.  Como se para os outros fosse fácil, possível, delicioso.

E a inveja pode ser um mecanismo que impede ainda mais que alguém se volte para si e invista em seu desenvolvimento e capacidades.

Enquanto se inveja, se perde tempo e oportunidade de buscar caminhos.


Invejar é algo triste, de vazio, de insatisfação e infelicidade.


Rosangela Tavares





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