quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O que é Solidão


Muita gente vive só e não se sente só.

Tem quem viva em meio a muita gente e se sinta desconectado.

Existe uma diferença entre estar sozinho e se sentir sozinho.

E existe outra diferença, entre se sentir sozinho e se sentir solitário.

Eu posso morar sozinho, trabalhar sozinho e não me sentir assim.

Se sentir sozinho tem a ver com a sensação de não estar acompanhado, de sentir falta de movimento, de companhia.

Se sentir solitário é algo mais profundo e tem sempre a ver com o interior de cada um e suas memórias, inclusive inconscientes.

Uma pessoa que se sente sozinha pode telefonar para um amigo e pedir para estarem juntos.

Pode providenciar a companhia de um animal de estimação e nessa troca afetiva resolver a sensação de não ter mais ninguém por perto.

Mas quem sente solidão vive um estado mais tristonho, de vazio, onde às vezes, mesmo tendo companhia, não elimina a solitude.

Muitas pessoas são solitárias em seus casamentos, relacionamentos, enquanto muitas vivem “solteiras” sem enfrentar a sensação de solidão.

Solidão pode ter a ver com fatores primitivos, desde a criança que viveu a solidão da ausência física dos pais por muito tempo, até a que foi realmente deixada de lado, isolada, desconsiderada. E assim levam a solidão como parte delas para a vida.

Solidão tem a ver com falta, carência, com um não preenchimento afetivo em algum nível, o que faz com que o sentimento de solidão seja contínuo, já que fica fazendo parte do emocional.

E o mais sério acontece quando se passa a buscar preenchimento para essa fenda antiga em elementos externos, vícios, compulsões, relacionamentos não selecionados, já que o vazio pode doer mais do que as contendas das experiências ruins.

Quem se sente solitário se sente longe do mundo, longe do amor. Se sente longe de ser querido.

É mais do que sozinho, é afastado, separado, desintegrado.

Quem se sente solitário em demasia pode sofrer muito, pode ficar deprimido.

A solidão pode ser tratada, abrandada, num trabalho por onde se consiga achar um sentido para sua existência (identificar para ressignificar).

Porque solidão é um sentimento sem rumo, uma falta que o material não preenche, é como um luto não resolvido.

É a sensação da companhia que nunca chega.

Estar sozinho pode ser produtivo, interessante e bom.

Mas se sentir solitário sempre, pode ser limitante e trazer prejuízos. E o maior deles é a infelicidade.

Rosangela Tavares


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Depressão - Alguém me ajude


É como se algo no mais profundo da alma estivesse errado

É como se na essência do Ser um fio tivesse se desconectado

Como se em algum momento algo tivesse se rompido

E as luzes tivessem se apagado

É como se uma enorme despedida, sem volta, tivesse acontecido

Alguma coisa muito importante ficou pelo caminho

Talvez tenha sido o sentido

Todas as forças se esgotaram

A voz não sai, a garganta não abre mais

O nível de dor já foi ultrapassado

O corpo e o mundo estão anestesiados

A dor física parece distante, não faz mais diferença

A fase de tentar se reerguer ficou para trás

A resignação atingiu o grau da vida

Só resta um marasmo, uma dor sem voz, a apatia e o cenário cinza

E quem sabe uma última fagulha

Acenando para quem conseguir compreender...

Rosangela Tavares


Desculpa aí!

Como seria para você, poder se estressar menos todos os dias?

Se for importante, então leia até o final.

Quantas vezes você se irrita logo de manhã?

Ficamos muito concentrados nas obrigações e horários, de forma que qualquer pequeno imprevisto nos atinge, desconcerta, aborrece, e já traz aquele pensamento: “Estou vendo que o dia vai ser daqueles”.

E nos deixamos afetar tanto com as pequenas falhas dos outros, que elas tomam uma proporção enorme, e a gente "se acaba" de nervoso.

Mas, peraí, e as falhas que a gente também comete num dia?

Quando avançamos ansiosos na oportunidade de entrar com o carro, como se nosso tempo fosse mais precioso do que o do outro, e o outro permite, parando para que passemos.

Quando esquecemos daquela consulta e ligamos para remarcar, e somos atendidos com educação, sem retruques, ou então quando temos que confessar ao médico que não seguimos nada da orientação que foi dada, e recebemos compreensão e ainda nova orientação.

Quando cometemos uma falha no trabalho e o chefe apenas nos aponta, sem agredir.

Quando nervosos, “descontamos” no colega um problema, e este releva, não deixando de falar conosco.

Ou então quando chegamos em casa exaustos e não oferecemos o sorriso que nossa família merecia, mas mesmo assim ganhamos um abraço verdadeiro.

Somos desculpados muitas vezes num só dia, só não prestamos atenção no quanto.

E não percebemos que, no fundo, as pessoas que nos desculparam foram grandes.

E no quanto quem desculpa tem a ganhar, porque não gasta energia, não sofre amargando o erro do outro, relaxa e segue em paz.

Desculpar é positivo e saudável, é emocionalmente inteligente, só faz bem.

É uma questão de mudar a postura, de treinar o "deixa para lá".

Então, aprendamos a olhar as coisas por outro ângulo, já que todo mundo está no mesmo barco da correria e compromissos.

Faça isso por você, pelo seu humor e saúde.

Treine não se estressar!

Você pode começar por manter esta consciência, apenas lembrando, todos os dias de manhã, que existe esta opção.

E parta com a disposição para ficar bem.

Escolha ficar bem! 

Você não durará um século mais, lembre-se de aproveitar sua vida.

Assim poderá ter um dia melhor, um mundo melhor, é só uma questão de troca de desculpas, sem estresse, sem raiva, com consciência e muitos ganhos.


Rosangela Tavares


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Aprendendo a dizer NÃO


Tem pessoas que não tem o menor problema em dizer não.

Tem outras que dizem, mas sai um não sem graça, com esforço, vergonha.

Já outras dizem sim e ficam entaladas, com raiva de si mesmas por não terem conseguido se posicionar e dizer o verdadeiro não de que gostariam.

Dizer não pode ser difícil, pode ser fácil, pode ser normal.

A diferença está dentro de quem vai pronunciá-lo.

Geralmente se tem a crença de que dizer não é sempre ruim, e que sempre soará como grosseria ou indelicadeza.

Mas um não não precisa sair com tom de descortesia. Nesse caso o tom faz toda a diferença.

Eu posso, por exemplo, soltar um não até em tom de brincadeira, sorrindo, numa afirmação segura.

É preciso que se aprenda a usar o não com sensibilidade, já que um não coerente pode ajudar muito, e não enganar ninguém.

Porque dizer não significa, num primeiro momento, contrariar o outro, chatear o outro, frustrar a outra pessoa, então temos medo.

Dizer não requer segurança, coragem, ou seja, o não flui na ausência de medo.

Quando alguém não consegue dizer não, pode significar que tem medo do julgamento do outro, quando imagina sempre que o outro se chateará, ficará com raiva, deixará de querer bem.

Sendo assim, no fundo mesmo, quem não sabe dizer não tem medo da rejeição do outro.

Mas na vida não é possível viver dizendo sim para tudo.

Quando dizemos sim para tudo, estamos passando por cima de nós, estamos deixando de existir.

De que adianta deixar o outro contente e ficar remoendo a falta de pulso?

Quem não tem medo de dizer não, e o faz com tranquilidade, indica que não tem insegurança em relação a ser querido e aceito (“Se o outro não souber receber o não, é um problema dele”).

Porque assim como os nossos pais, dizer não pode significar amar e se preocupar. Ser sincero e honesto.

Então quando sofremos para dizer não, e as consequências dessa insegurança, temos que analisar o que há em nós, que nos impede de ter a segurança da nossa posição sobre algo.

Toda a vez que você disser um não contrariado, estará anulando a você mesmo, e você deve se perguntar em nome de quê está fazendo isso.

É medo de perder o amor do outro?

Enquanto isso você leva para casa a sensação de não ser forte, se autocriticando.

O segredo está em fazer uma autoanálise e tentar identificar a fragilidade.

A fantasia pode estar em dizer não, perder a amizade e acabar sozinho.

Mas os que sabem dizer não não estão necessariamente sozinhos por causa disso.

Quem diz não com despreocupação tem a certeza de ser aceito sempre, é bem resolvido com relação à sua posição e a dos outros nas coisas, não tem receio de ficar sozinho, porque provavelmente se sente bem constituído, e se basta.

Sendo assim, dizer não pode ser como dizer sim, porque o importante é que cada um tenha autoconfiança e se respeite, e considere que sua própria opinião tem importância também.


E “que se vire” quem tiver que ouvir um não!

Rosangela Tavares


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Agora não dá mais tempo...


Na faculdade de Psicologia, um dos meus colegas era uma senhora de setenta anos.

Quando se é pequeno, ainda não se tem medo da vida.

Então se vai arriscando, vivendo e acreditando.

Até que os revezes começam a mostrar que nem tudo é tão suplantável.

E muitas vezes, sonhos terão que ser abdicados, adiados, sublimados...

Muitos terão energia para se rebelar e provar que pode ser diferente.

Alguns tentarão até o fim.

Outros tantos seguirão culpando os Céus.

A frustração é uma das coisas mais duras de se viver.

E é dos sentimentos mais impactantes que se pode experimentar e carregar.

A frustração é o “NÃO!”, que a vida grita. E fere, irrita, contraria os melhores desejos.

É das imposições mais duras.

E em muitos casos os obstáculos serão reais e irresolúveis (?).

Em outros, o desaponto funcionará como justificativa para um resto de vida de lamentação e auto piedade, quando não se puder perceber a inautenticidade do desejo, a crença inconsciente na incapacidade, ou então a existência de um não merecimento cravejado fundo, pelos processos difíceis da infância.

Muitos desperdiçarão fardos de energia em sua viagem, quando não puderem captar que a aspiração não era mais que um devaneio, mera ilusão da idade.

Muitos culparão a passagem do tempo, por ser menos árduo do que enfrentar o desgaste na batalha pelo tão pregado sonho.

Dirão que o tempo levou a vontade, desfez a possibilidade.

Mas o tempo não é tão maldoso assim.

Não mais do que as nossas insuficiências internas, que podem ser enfrentadas, mostrando mais uma lição da vida nos bons resultados.

Hoje aquela senhora do curso de Psicologia deve estar nos seus 85 anos.

Creio que ela tenha descoberto como é ultrapassar uma reta final. Deve ter valido a pena.

Porque os sonhos são como jóias: se legítimos, são lindos e caros.


De qualquer forma, quando se conseguir ter a clareza e a certeza de que os esforços e aprendizados sempre valem a pena, e que sempre existirão formas de se dar a volta por outros cursos, então se poderá contornar o tropeço, manter-se menos emburrado com a vida, descobrindo que numa pequena receita pode caber o ingresso para um sonho genuíno: fé em si mesmo, aceitação e disposição sem limites.

Rosangela Tavares



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Eu como para viver


Comer é muito bom, todos sabemos.

A diferença pode estar em comer ou saborear, em nutrir ou preencher.

A gente come porque precisa abastecer nosso organismo com coisas boas.

O problema é quando comer vira busca para preencher vazio, para ter prazer na vida, principalmente quando fora do momento de comer não existe quase prazer.

Pessoas de sobrepeso em geral precisam mais comer do que se alimentar, emocionalmente falando.

Elas podem viver por dentro uma insatisfação em algum nível, onde a preocupação sobre o peso, por um momento, é menor, dói menos.

Muitos nem se deram conta dessa insatisfação no nível da emoção, que gera a dependência.

Comer por necessidade emocional é triste, é como se o prazer só durasse o momento de estar ingerindo coisas gostosas.

E geralmente são coisas de muito sabor, seja gordura, ou o doce, porque em algum ponto lá dentro existe um espaço para ser preenchido. Um espaço ocupado pela falta, pela insatisfação.

E quando acaba aquele momento, quem comeu se vê ansioso, culpado, mal, e buscará a comida de novo, assim que conseguir, para fugir, se deleitar, num ciclo vicioso.

Quem come por fundo de carência ou sofrimento, come para viver. Para conseguir viver. Só que age pelo caminho errado. A comida digere, acaba, a carência não.

É preciso se tratar por dentro, descobrir onde ficou o registro da falta, da desnutrição pelo carinho, pela falta de amor, ou seja o que for.

Onde se formou um buraco no coração, que foi parar no estômago.

É preciso descobrir se há crenças de não-merecimento, de culpa, baixa autoestima, que justificaria o fazer mal a si mesmo de alguma forma, acabar com a saúde, se entregar. Porque se cuidar é se amar.

Obesidade pode ser acúmulo, acúmulo de memórias inconscientes e doloridas, velhos conteúdos reprimidos, lutos não elaborados, defesas. Porque a gordura também é uma casca que protege, esconde, que defende.

A satisfação e o contentamento precisam estar antes no peito, no íntimo.

Quando a clareza e a harmonia interior superarem os impulsos da ânsia pelo preenchimento, então a vida muda, e comer passa a ser apenas um prazer na medida de um prato. O resto do prazer está na alma.


Rosangela Tavares 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ah, eu sou assim mesmo!


Quando a gente tem alma de psicólogo, a gente observa o mundo com uma visão um pouquinho diferente. A gente observa analisando, sem crítica ou julgamento, apenas analisando as diferenças entre os elementos da vida, das pessoas, do mundo como um todo.

É estarrecedor ver o quanto existe um comportamento de conformismo entre os seres humanos.

É como se dissessem para si: “Ah, eu sou assim mesmo, é a vida...”

Às vezes eu fico assustada de ver tanta inadequação, conflito e sofrimento nas vidas, e vejo as pessoas apenas vivendo por viver, levando o dia a dia como se o desequilíbrio, a dor (emocional e física) e os problemas (emocionais, relacionais, de saúde) fossem normais.

Pessoas que não se encontraram ainda, que vivem relacionamentos difíceis e desajustados, em nome do medo da solidão, porque não aprenderam a se amar o suficiente para estarem felizes sozinhas, e assim atraírem alguém tão feliz quanto. Possuem tantos medos e bloqueios que não conhecem, e escolhem inconscientemente pessoas que trazem mais sofrimento para seus mundos.

Pessoas que vivem solitárias por defesa, porque criaram suas teorias sobre “amar é sofrer”, ou “família é só problemas”, quando sofreram no passado, e se traumatizaram.

Se pudessem resolver os seus passados, ressignificar as experiências, teriam a chance de serem felizes ao lado de alguém e de sua própria família. Porque amar não é sofrer. Pelo contrário, amar é dividir a felicidade da vida.

Vejo pessoas que não sabem o que gostariam de fazer, não tem sonhos, trabalham insatisfeitas, e não sabem ao menos responder à pergunta sobre o que realmente as realizaria profissionalmente. Não conhecem o que as preencheria de verdade, porque na verdade nem conhecem a si mesmas, não sabem com o que se identificam.

Pessoas com autoestimas cheias de buracos, infâncias difíceis, crenças rígidas sobre sofrimentos imutáveis, acreditando que felicidade é fantasia.

É como se viver com um vazio no peito, desgaste e infelicidade fosse algo a se aceitar, simplesmente aceitar e deixar a vida passar.

E se conformam, e o tempo vai passando, e a vida vai se perdendo...

É uma pena que a palavra autoconhecimento pareça apenas um termo entre muitas letras num livro de autoajuda, quando poderia ser a solução para uma vida. Para muitas vidas.

Quando publico um texto, o publico com todo o coração.

Ainda tenho a esperança de que muitos despertem e descubram o infinito de recursos que existem para reformarem as suas vidas, seus interiores.

Para isso nós, profissionais que amamos o que fazemos, que nos realizamos na transformação de vidas, estamos aqui, bastando que se disponham a modificar seus preceitos, seus jeitos, seus modelos.

Porque a vida acontece dentro de nós.

Rosangela Tavares